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Onde está o compromisso da Apple com padrões abertos na Web?

As grandes empresas de TI e o progresso da tecnologia

É curioso observar que ao mesmo tempo que grandes empresas de Tecnologia da Informação realizam inovações significativas, elas também atrapalham o progresso para defender seus interesses próprios. Durante muitos anos, a Microsoft foi considerada a grande vilã das empresas de TI devido às suas práticas monopolistas graças ao esmagador domínio do Windows no mundo dos computadores pessoais. Este domínio foi usado para exterminar produtos de concorrentes, como no caso do navegador Netscape depois que a Microsoft embutiu o Internet Explorer no Windows 95. A AOL comprou a Netscape Communications Corporation em 1999. Em março de 2008, a AOL finalizou o suporte ao Netscape cujo término do desenvolvimento já havia sido anunciado antecipadamente. De alguma forma ele ainda vive no atual navegador Firefox, antes denominado Mozilla, que teve seu código-fonte inicial baseado no código-fonte do Netscape.

A Apple ultrapassa o valor de mercado da Microsoft

Por mais incrível que possa parecer, a Microsoft não é mais aquela empresa toda poderosa do mundo de TI. Impressionante verificar que a Microsoft, que tinha um valor de mercado de quase 400 bilhões de dólares no início de 2001, está com um valor de mercado pouco maior que 200 bilhões de dólares em 2011. Enquanto a Apple, que tinha um valor de mercado de mercado de pouco mais de 8 bilhões de dólares no início de 2001 está com valor pouco maior que 300 bilhões de dólares em 2011. Ou seja, em dez anos, a Microsoft teve o seu valor de mercado diminuído em quase metade e a Apple teve o seu valor de mercado aumentado em quase 40 vezes. Atualmente, o valor de mercado da Apple ($310.40B) é quase 50% maior (aproximadamente, 46%) que o da Microsoft ($212.47B). Segue um gráfico com a evolução dos valores de mercado da Apple e da Microsoft de 2001 até 2011 em: http://ycharts.com/search?q=AAPL%20vs%20MSFT&c=market_cap.

Participação da Apple no mercado de smartphones e tablets

Atualmente, a enorme participação da Apple no mercado de smartphones e tablets já está trazendo as suas consequências.

A Apple baniu o Adobe Flash dos dispositivos iPhone, iPod touch e iPad, ou seja, do sistema operacional iOS. Numa carta aberta intitulada "Thoughts on Flash", Steve Jobs tenta esclarecer os motivos por trás desta decisão. Veja o texto da carta na íntegra em: http://www.apple.com/hotnews/thoughts-on-flash/. Ele cita que a evolução da tecnologia Flash é controlada pela Adobe no seguinte trecho da carta: "Adobe has sole authority as to their future enhancement". Afirma que, apesar do fato sistema operacional iOS ser proprietário, ele e a Apple acreditam que todos padrões pertencentes a Web devem ser padrões abertos no seguinte trecho: "we strongly believe that all standards pertaining to the web should be open". Ele também afirma que a Apple adotou HTML5, CSS e JavaScript, que são todos padrões abertos, no seguinte trecho: "Apple has adopted HTML5, CSS and JavaScript – all open standards". Ele ainda afirma que o HTML5 é completamente aberto e controlado por um comitê de padronização, do qual a Apple é membro. Certamente, a carta aberta é uma tentativa de justificar o banimento do Flash do iOS depois da enorme repercussão negativa do anúncio. Afinal de contas, milhares de sites no mundo usam Flash para tocar vídeos e executar animações e a Apple impôs a restrição em detrimento da liberdade de escolha dos usuários dos seus dispositivos. Ao contrário da Apple, o Google suporta o Adobe Flash no Android 2.2 (Froyo) e 2.3 (Gingerbread) para smartphones e no Android 3.0 (Honeycomb) para tablets. Nem por isto, o Google tem menos compromisso com HTML 5 que a Apple. Inclusive, Ian Hickson, editor da especificação HTML5, é funcionário do Google desde 2005. Veja mais informações sobre a especificação HTML5 em: http://www.w3.org/TR/html5/.

Suporte dos navegadores ao novo elemento <video> do HTML5

O HTML5 inclui o novo elemento <video> para incorporar um vídeo numa página Web. O suporte a este elemento é somente parte da necessidade para se tocar vídeos nativamente em páginas Web apresentadas em navegadores, portanto sem a necessidade de instalação de um plug-in com o Adobe Flash ou o Microsoft Silverlight. Além disto, os navegadores devem suportar formatos de vídeos em comum. Uma vez que HTML5 é um padrão aberto, é sensato concluir que os formatos de vídeo a serem suportados pelos navegadores também devem seguir um padrão aberto. O projeto WebM (http://www.webmproject.org/) foi criado como objetivo de desenvolver um formato de vídeo de alta qualidade e aberto para a Web que é disponibilizado gratuitamente para todos. O formato é suportado nativamente pelas últimas versões dos navegadores Mozilla Firefox, Opera, Google Chrome, Google Android Browser e via plug-in pelo Adobe Flash, mas não é suportado nativamente pelas últimas versões dos navegadores da Apple e nem da Microsoft: Apple Safari 5.0.4, Apple Mobile Safari para iOS 4.3.1, Microsoft Internet Explorer 9.0 e Microsoft Internet Explorer Mobile for Windows Phone 7. No caso do Internet Explorer 9.0, existe uma versão prévia do WebM Media Foundation Components for Microsoft Internet Explorer 9 (Preview release) (http://www.webmproject.org/ie/), que foi uma iniciativa do projeto WebM, uma vez que a Microsoft não disponibilizou o Internet Explorer 9 com codecs WebM nativos.

Anúncio do fim do suporte ao formato H.264 no Google Chrome

No início de 2011, o Google anunciou que o Chrome não suportará mais o formato H.264 por causa dos requisitos de licenciamento, seguindo o exemplo dos navegadores Firefox e Opera. Estes três navegadores suportam os formatos abertos WebM e Ogg. Veja mais informações em: http://blog.chromium.org/2011/01/more-about-chrome-html-video-codec.html.

Enquanto isto, a Apple não suporta formato de vídeo aberto algum nativamente nos seus navegadores Safari (Mac OS X e Windows) e Mobile Safari (iOS) e nem a Microsoft no Internet Explorer (Windows) e Internet Explorer Mobile (Windows Phone 7).

Demagogia do Steve Jobs e da Apple?

E o discurso do Steve Jobs (e da Apple) na sua carta aberta sobre o Flash, de que "eles acreditam fortemente que todos os padrões pertencentes à Web devem ser abertos"? Onde está o compromisso do Steve Jobs (e da Apple) com o uso de padrões abertos na Web?

Rogério Moraes de Carvalho
Twitter: @rogeriomc

6 comentários sobre “Onde está o compromisso da Apple com padrões abertos na Web?

  1. Olá Rogério,
    Isso é o que acontece quando as empresas almejam o máximo lucro e colocam seu crescimento (e domínio) acima de uma causa ou de seus valores.
    O lado interessante (e aparentemente contraditório) é que a empresa campeã em fazer isto no setor (Microsoft) está cada vez menos poderosa (vide os números que você citou) e cheia de dúvidas para o futuro: em mobile, o WIndows Phone 7 não decolou – aliás caiu de 9% para 7,7% de mkt share; em tablets ainda está na relargada (aqueles PCs achatados, caros e pesados, não são prá valer, concorda?), e logo mais a briga de sistemas operacionais, vitória eterna do Windows, será disputada entre Android e iOS. Sem falar nos aplicativos, incluindo software de colaboração, que irão para a nuvem como commodity e achatarão os lucros realizados pela gigante até hoje.
    Agora a Apple é a bola da vez e começou a dar as cartas. O cenário é um pouco mais maduro, e mesmo sendo uma empresa que produz hardware e software “amarrado”, tornando a “caixa preta final” fechada (iPhones, iPads, Macs), ela poderia integrar estes “terminais” em quaisquer sistemas através de padrões abertos. Enquanto estão “por cima da carne seca”, irão tentar ditar as regras. Porém, a ameaça Android já se mostrou clara, e a Apple terá que voltar atrás e tornar-se compatível. Não como equipamento ou sistema operacional, mas como “cliente da nuvem”. Como apesar de grande, a Apple ainda tem se mostrado ágil (ao contrário da sua ex-rival Microsoft), acredito que saberão dançar conforme a música. E se a música for boa e os dançarinos adaptáveis, a festa será bastante agradável. Aumente o som!😉

    1. Olá Luciano!

      Realmente, a Microsoft ainda está um tanto quanto perdida no mercado de smartphones e de tablets. Em 2007, o Steve Ballmer riu do iPhone numa entrevista, criticando o fato dele ser muito caro, não ter teclado e afirmando que o Windows Mobile oferecia tantos recursos quanto o iPhone:

      . Quem diria que quase 4 anos depois, a Apple teria ultrapassado o valor de mercado da Microsoft em quase 50%. E isto exatamente porque a Apple explorou o mercado promissor de smartphones e a Microsoft não foi capaz de reagir à altura. Então, o Google entrou na briga e também deixou a Microsoft para trás com o Android.

      A Microsoft demorou muito para descartar o Windows Mobile e partir para uma nova iniciativa de sistema operacional para smartphones, neste caso o Windows Phone 7. Eu achei a interface do Windows Phone 7 inovadora e competitiva, pois ela adotou uma abordagem diferente da tradicional adotada pela Apple no iOS e pelo Google no Android. Porém, a Microsoft somente lançou o Windows Phone 7 em outubro do ano passado (Microsoft’s Windows Phone 7 launch event), mais de 3 anos após o lançamento do primeiro iPhone. E ainda sem suporte a funcionalidades básicas como: copiar e colar e multitarefa. Ou seja, mais de 3 anos depois, lançaram um sistema operacional comparável à primeira versão do iPhone OS (atualmente conhecido como iOS) de 2007. A Microsoft demorou demais para reagir e, quando reagiu, entregou um produto sem recursos suficientes para competir com os sistemas operacionais móveis dominantes no mercado na época do lançamento: Apple iOS e Google Android.

      Pior, a Microsoft ainda não um tem um sistema operacional voltado para tablets. O Windows 7, apesar de ter suporte a toques múltiplos na tela, não foi projetado para tablets. Ele possui uma interface similar às versões anteriores do Windows (Windows Vista e Windows XP), que possuem elementos de interface muito pequenos para interações por toques. Eu acho uma falta de visão muito grande das poucas empresas de hardware que estão lançando tablets com Windows 7. Há um rumor de que a Microsoft lançará o Windows 8 no próximo ano como uma edição voltada para tablets, mas não há nada confirmado oficialmente. Mais uma vez, a reação da Microsoft está chegando muito tarde ao mercado de tablets.

      Impressionante verificar que a Microsoft teve a visão de criar um sistema operacional para a nuvem (Windows Azure), mas esqueceu de criar sistemas operacionais competitivos para os principais potenciais clientes da nuvem: tablets e smartphones. Se não fosse pelo sucesso do Windows 7 e do Kinetic no ano passado, certamente a Microsoft valeria menos da metade do valor de mercado da Apple em 2011.

      Vamos assistir o desenrolar desta competição de camarote. Por enquanto, a Apple está adotando a mesma estratégia fechada de hardware e software que adotou com o Mac OS nos anos 90, quando perdeu a disputa de sistemas operacionais para desktops para a Microsoft com o Windows. Como as coisas estão caminhando no momento, se a Apple não mudar a estratégia a tempo, ela será derrotada mais uma vez, mas desta vez muito provavelmente pelo Google com o Android.

      1. Oi Rogério,
        Como não continuar num bate-papo desses? Rs rs rs…
        Se tentarmos olhar para o futuro, começamos a ver alguns nichos ficando claros:
        – smartphones e tablets como “clientes da nuvem”
        – Infraestrutura da nuvem (os antigos “hosters”, sendo comidos pelos grandes fabricantes: Google, Amazon, Microsoft, Salesforce, etc)
        – Aplicativos corporativos na nuvem (pública e privada)
        – Mini-aplicativos nos smartphones e tablets
        – PCs mantendo um nicho de aplicativos legados

        Na parte client, tudo indica que smartphones e tablets rodarão Android (quase na mesma proporção que hoje os PCs rodam Windows), porém dificilmente a Apple perderá a fatia que conseguiu morder. Deve ficar com os 25% que tem hoje. RIM, Nokia, Windows Phone tentarão resistir, mas a situação é delicada. Pense bem: se vc for desenvolver uma aplicação hoje, por onde começaria? Eu, sinceramente, faria primeiro para Android. E logo depois para iOS. Depois, as opções são: 1) desenvolver para RIM, 2) Desenvolver para Windows Phone 3) Desenvolver outra aplicação para Android. Eu escolheria a 3) (mais possibilidade de lucro, concorda? Fora a diversão!).

        Na infraestrutura… bem, isso virou praticamente commodity. Uma boa arquitetura permite até mesmo migrar entre fornecedores “opostos” (de .Net para Java e vice-versa), mas claro que a briga hoje está exatamente aí. A tábua da salvação da Microsoft pode ser esta.
        Outro nicho enorme é o desenvolvimento de aplicações corporativas. Sempre foi. Aqui Salesforce, Oracle, IBM e outras grandes consultorias devem pegar a maior fatia. É o que eles sabem fazer, e muito bem.
        Por fim temos o mundo PC legado. Programadores, designers, power-users de sistemas de gerenciamento de documentos/imagens, e até gamers. Estes nichos terão uma sobrevida à frente de um teclado e mouse, mas logo soluções inovadoras com tablets “turbinados” por monitores, teclados, e porque não, “processadores externos” poderão assumir de vez o desktop.
        É engraçado ver todo mundo esperar a Google lançar um sistema operacional para PCs, quando na realidade, ele pode estar à frente de seus olhos: o “novo PC” pode nascer rodando Android! Com a vantagem de ser “destacado” de seus acessórios e caber numa pasta A4. Ou A3. Ou no bolso. Talvez naquele da frente da calça jeans, como Jobs já redescobriu um dia.
        Conclusão: a área de TI é como areia movediça ao contrário: quem fica parado, afunda!

  2. Olá Luciano!

    É impressionante como o mercado de smartphones e tablets está crescendo de forma extremamente rápida. E estes dispositivos móveis precisam de um sistema operacional para que possam ser usados. Atualmente, o Android e o iOS estão em posições privilegiadas neste mercado.

    A participação do Windows Phone 7 ainda é muito pequena devido a Microsoft ter demorado muito para criar um sistema operacional competitivo e pela omissão de recursos essenciais na versão inicial. Em fevereiro de 2011, no Mobile World Congress em Barcelona, na Espanha, a Microsoft anunciou que diversas novas características serão incluídas no Windows Phone 7 no ano de 2011 (http://www.microsoft.com/Presspass/Features/2011/feb11/02-14MWC.mspx), como:
    – Funcionalidade de copiar e colar com atualização prometida para março de 2011 (promessa cumprida).
    – Suporte a multitarefa.
    – Experiência com o navegador Web drasticamente melhorada com base no IE9.
    – Suporte a documentos do Office na nuvem.
    – Integração do Twitter com o People Hub.

    Vamos verificar se a Microsoft cumprirá todos os compromissos assumidos em 2011. Em 2012, vamos acompanhar se haverá lançamento de um volume significativo de smartphones da Nokia com Windows Phone 7 conforme planejado. Este é o resultado esperado da parceria, anunciada em fevereiro de 2011, entre a Nokia e a Microsoft (http://www.microsoft.com/presspass/press/2011/feb11/02-11partnership.mspx) para construir um novo ecossistema móvel global.

    O Windows Phone 7 precisa obter uma quota de mercado mais significativa para atrair o interesse de mais empresas de desenvolvimento de software e alavancar o número de apps disponível para a plataforma. Isto para que ela possa fazer frente à Apple com o iOS e ao Google com o Android.

    Quanto ao trecho do seu comentário: “Pense bem: se vc for desenvolver uma aplicação hoje, por onde começaria?”. Nas condições atuais, as plataformas com penetração mais significativa no mercado são iOS e Android. Portanto, eu começaria a desenvolver uma aplicação para smartphones e/ou tablets para estas plataformas. Ainda mais depois do anúncio da RIM, que está expandindo o ecossistema de aplicações para o seu tablet BlackBerry PlayBook (http://us.blackberry.com/playbook-tablet/) para suportar Java e apps Android 2.3 (http://press.rim.com/release.jsp?id=4935).

    Nós estamos tendo o privilégio de acompanhar e participar ativamente destas transformações no mundo da Tecnologia da Informação. Vamos ver quais estratégias serão vencedoras e quais serão fracassadas. Eu concordo plenamente com a sua conclusão: “A área de TI é como areia movediça ao contrário: quem fica parado, afunda!”.🙂

      1. Atualmente, a situação da Microsoft não é nada confortável. Ela está correndo para introduzir novos recursos no Windows Phone 7 para tentar ter um sistema operacional competitivo com o iOS e o Android em smartphones.

        E, para piorar a situação, a Microsoft ainda não tem um sistema operacional voltado para tablets, pois o Windows 7 não foi desenvolvido para esta finalidade. A Apple tem recursos específicos para o seu tablet iPad no iOS 4.3.x, o Google lançou o Android 3.0.x (Honeycomb) e até a RIM lançou o BlackBerry Tablet OS para o seu tablet PlayBook.

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